Acondicionamento: o que é e como fazer?

24 de fevereiro de 2025 | Logística

Manter a carga intacta do início ao fim do trajeto é uma das grandes responsabilidades de uma transportadora. Um bom acondicionamento evita estragos, protege os produtos e ainda reduz o risco de acidentes – sem falar que os órgãos reguladores exigem esse cuidado.

A Resolução nº 945/2022 do CONTRAN, por exemplo, determina que toda carga precisa estar bem fixada e acondicionada para evitar deslocamentos durante o transporte, mesmo diante de curvas fechadas, freadas bruscas ou solavancos inesperados.

Cada tipo de mercadoria pede um tipo de atenção, e entender essas particularidades faz toda a diferença. Neste artigo, vamos falar sobre como garantir um transporte seguro e sem complicações. Vamos lá?

 

O que é acondicionamento?

O acondicionamento de cargas é o conjunto de práticas utilizadas para organizar, proteger e fixar mercadorias durante o transporte. Ou seja, é o que garante que os produtos cheguem ao destino do jeito que saíram: inteiros, protegidos e sem prejuízos à qualidade.

Isso envolve o uso de embalagens adequadas, amarrações, paletização e outros métodos que impedem deslocamentos indesejados, impactos ou contaminação.

Cada tipo de carga exige cuidados específicos. Produtos frágeis precisam de amortecimento contra impactos, enquanto alimentos e medicamentos, por exemplo, devem seguir normas sanitárias rigorosas, como as da ANVISA.

Além de preservar a mercadoria, um bom acondicionamento reduz riscos de acidentes, evita prejuízos e fortalece a reputação da transportadora, garantindo um serviço de qualidade para os clientes.

 

Quais são as formas de acondicionamento?

O acondicionamento de cargas varia conforme o tipo de mercadoria, levando em conta características como peso, volume e temperatura.

Há uma variedade de materiais que ajudam a proteger e transportar produtos. A seguir, vamos explorar alguns dos mais utilizados:

 

  • Caixas de papelão ou madeira

As caixas de madeira e papelão dominam o transporte de cargas no Brasil, sendo a escolha mais popular pela sua praticidade e custo-benefício.

Quando bem acondicionadas, elas garantem a proteção dos produtos e, combinadas ao uso de pallets, facilitam o manuseio e tornam o deslocamento no armazém muito mais rápido.

  • Sacarias

As sacarias são a escolha tradicional para transportar grãos como soja, feijão, açúcar e café, mas também usadas para outros tipos de carga, sempre garantindo que tudo chegue bem acomodado e protegido.

Feitas de ráfia, um material resistente de polietileno entrelaçado, elas variam em tamanho e podem suportar até 1 tonelada, no caso dos big bags. Para cargas mais pesadas, é comum que possuam alças, facilitando o manuseio e o transporte com empilhadeiras.

 

Leia também: Como é feito o transporte de açúcar?

 

  • Tambores de metal ou bombonas de plástico

Dois tambores de metal em cor preta e vermelha.

Os tambores e bombonas são recipientes cilíndricos usados para armazenar e transportar líquidos ou sólidos, geralmente com capacidade para 200 kg.

Os tambores de metal são mais resistentes e costumam ser usados para cargas perigosas ou sensíveis.

Já as bombonas de plástico, embora mais leves e fáceis de manusear, são menos resistentes e podem reagir com certas substâncias, o que limita seu uso para alguns tipos de produtos.

  • IBC (Intermediate Bulk Container)

Os containers IBC (Intermediate Bulk Container, que podemos traduzir como Container de Grande Volume Intermediário) são usados para transportar produtos a granel, como líquidos, sólidos e pastosos.

Existem versões rígidas, feitas de plástico e metal, e flexíveis, com bolsa de polietileno. Os modelos rígidos são empilháveis e geralmente possuem pallet para facilitar o manuseio.

O IBC mais comum no Brasil tem capacidade de 1.000 litros, com variações de 640 a 1.250 litros, e pode incluir recursos como proteção antiestática e agitador interno.

 

Como é feito o acondicionamento de cargas?

O acondicionamento de cargas vai muito além de simplesmente empilhar produtos no veículo. Para garantir que tudo chegue no destino em perfeito estado, é preciso considerar uma série de fatores.

Vamos quebrar isso em partes:

 

1. Características da Carga

Cada tipo de mercadoria tem suas exigências no transporte, e ignorar isso pode gerar problemas. Produtos frágeis, como vidros e cosméticos, precisam de embalagens que garantam a proteção.

Já alimentos e medicamentos exigem condições de refrigeração, com sistemas de monitoramento de temperatura nos veículos.

Para entender mais sobre os cuidados com cargas refrigeradas, confira nosso artigo completo: Como funciona o transporte de refrigerados?

Por isso, antes de enviar qualquer carga, fique de olho no que ela precisa para que tudo chegue ao destino em boas condições.

2. Fixação e Segurança da Carga

Cargas pesadas ou volumosas precisam ser fixadas corretamente. Técnicas como amarração e cintagem são importantes para manter tudo no lugar.

Usando cordas, cintas ou redes, a carga é firmemente presa ao veículo, evitando qualquer movimento durante o transporte, principalmente em viagens rodoviárias ou marítimas.

3. Embalagem Secundária

Para facilitar o manuseio e tornar o transporte mais ágil, muitos produtos são agrupados em embalagens secundárias. Por exemplo, várias caixas de bolachas em um único tabuleiro ou garrafas organizadas em engradados.

Essa prática ajuda a organizar a carga e otimiza o espaço, além de facilitar o carregamento e descarregamento.

4. Unitização para Otimizar o Transporte

Por fim, a unitização ajuda a organizar a carga de maneira que o espaço no veículo ou contêiner seja usado da forma mais prática possível.

Essa é uma parte muito importante no acondicionamento e, por isso, vamos dedicar os próximos tópicos a explorá-lo com mais detalhes. Saiba mais sobre a unitização a seguir!

 

O que é unitização de cargas?

Homem usando capacete de API trabalhando em armazém. À sua frente, estante com cargas unitizadas em caixas de papelão e pallets.

A unitização é uma técnica que visa otimizar o uso de espaço e facilitar o manuseio de produtos, agrupando mercadorias menores em unidades maiores. Ela é aplicada tanto no transporte quanto no armazenamento.

No transporte, isso significa menos carga solta dentro dos veículos, proporcionando maior estabilidade e simplificando o manuseio com empilhadeiras e guindastes.

Já no armazenamento, a unitização ajuda a ocupar melhor o espaço, acelera a distribuição e torna a gestão do estoque mais prática.

Confira a seguir algumas das principais formas de unitização:

 

  • Papel filme (Stretch)

Plástico flexível usado para envolver cargas, garantindo estabilidade e proteção contra poeira, umidade e impactos. Também é reciclável e reduz custos em relação a outros métodos de fixação.

  • Plástico bolha

Revestimento plástico com bolhas de ar que protege itens frágeis. Embora útil para objetos leves, precisa ser combinado com outras embalagens para cargas mais pesadas.

  • Pallets

Estrados de madeira, plástico ou metal que facilitam a movimentação e armazenagem de mercadorias com empilhadeiras, tornando os processos logísticos mais ágeis e seguros.

  • Contêiners

Estruturas metálicas ou plásticas que permitem o agrupamento de grandes volumes de mercadorias em um único espaço. São ideais para cargas que necessitam de maior segurança durante longas distâncias.

 

Como é feita a unitização de cargas?

Homem embalando caixa com papel filme.

Em vez de transportar produtos soltos, a unitização organiza as mercadorias em blocos grandes e compactos.

O tamanho da carga unitizada é adaptado à capacidade dos equipamentos de movimentação, garantindo um aproveitamento do espaço nos caminhões e armazéns, além de tornar o processo de embarque e desembarque mais ágil.

No entanto, para que essa estratégia funcione, o acondicionamento correto é indispensável. Tanto no agrupamento quanto no transporte, a carga precisa ser bem acondicionada para evitar danos durante o trajeto.

O transporte de cargas é vital para muitas empresas, que dependem dos produtos para manter suas operações. Um item danificado pode gerar prejuízos financeiros e prejudicar a reputação tanto da transportadora quanto do cliente.

Por isso, é essencial seguir as melhores práticas para garantir entregas seguras.

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