Como a seca na Amazônia influencia na logística do Brasil?

21 de outubro de 2024 | Logística

A Amazônia, famosa por sua rica biodiversidade e importância na regulação do clima do nosso planeta, está lidando mais uma vez com uma seca desafiadora.

Esse fenômeno complexo é o resultado de uma combinação de fatores, como desmatamento, queimadas e as mudanças climáticas, que diminuem a capacidade da floresta de reter água.

A estiagem já está fazendo estragos no estado do Amazonas, com repercussões diretas em diversos setores da economia brasileira, especialmente por conta da dependência da região da navegação fluvial.

Em 2024, Manaus bateu recordes de seca, registrando os níveis mais baixos desde o ano passado. A situação não se restringe à capital; 60 cidades no Amazonas estão sendo afetadas de forma severa.

E não para por aí. A queda dos rios prejudica a logística da região, dificultando o transporte fluvial que é fundamental para o abastecimento e o funcionamento da economia.

Neste artigo, vamos explorar a realidade atual da Amazônia, os fatores que a estão afetando, as consequências da seca na logística e o que está sendo feito para enfrentar essa crise.

Saiba mais sobre esse impacto adiante.

 

Leia também: Transporte de cargas: Como funciona e os tipos

 

O que causa a seca na Amazônia?

O que causa a seca na Amazônia?

A situação na Amazônia é o resultado de uma complexa interação de fatores, em grande parte impulsionados pelo fenômeno El Niño e pela crise climática. Essa combinação está elevando as temperaturas e trazendo uma escassez alarmante de chuvas à região.

Vamos entender mais sobre esse assunto:

El Ninõ

O El Niño é um fenômeno climático que ocorre há milênios, mas sua frequência tem aumentado devido ao aquecimento global causado pelas emissões humanas.

Esse fenômeno se manifesta pelo aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico equatorial, o que altera as correntes de ar e impacta o clima global, provocando variações nas chuvas e temperaturas em diversas regiões.

O fenômeno se origina quando os ventos alísios, que normalmente sopram de leste para oeste, diminuem ou mudam de direção. Isso permite que as águas quentes do oeste do Pacífico se desloquem para o leste, aquecendo a superfície do oceano.

O encontro desses ventos com uma massa de ar que vem do sul altera ainda mais o clima, resultando em aumento das chuvas na região andina e no sul do Brasil, enquanto a Amazônia e o nordeste ficam mais secos.

Crise climática

O aquecimento global e o aumento das emissões de gases estão diretamente relacionados à redução das chuvas e ao aumento da evaporação, afetando a disponibilidade de água em várias regiões, incluindo a Amazônia.

As árvores, que regulam o clima por meio da evapotranspiração, estão perdendo essa função devido ao desmatamento e às queimadas, o que agrava ainda mais o problema.

O desmatamento ilegal e o avanço do agronegócio contribuem para a destruição de florestas, liberação de CO2 e alteração do ciclo da água, agravando a seca.

Muitas comunidades na Amazônia já enfrentam dificuldades de acesso a alimentos e água potável devido ao nível crítico dos rios. As queimadas e a destruição da vegetação impactam também a qualidade do ar e ameaçam o equilíbrio ecológico.

Segundo dados do Mapbiomas, o Brasil, que abriga 60% do bioma Amazônia, já perdeu 21% de sua mata nativa. No total, o bioma Amazônia na América Latina registrou uma perda de 17% de sua vegetação natural, com mais de 125 milhões de hectares destruídos.

O El Niño, que dificulta a formação de chuvas, aliado ao aumento das temperaturas, intensifica a seca na região amazônica, causando sérios danos aos ecossistemas aquáticos e terrestres.

A escassez de água ameaça a sobrevivência de diversas espécies de plantas e animais, além de prejudicar comunidades que dependem dos rios e lagos para consumo, agricultura e pesca, comprometendo suas fontes de sustento e segurança alimentar.

Como está a seca na Amazônia em 2024?

Atualmente, todo o Brasil está enfrentando a pior seca desde o início dos registros, de acordo com o Centro Nacional de Monitoramento e Alerta Precoce de Desastres Naturais (Cemaden), afetando 200 municípios, especialmente em São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso.

A seca, que atinge 83% do território nacional, é agravada pelas mudanças climáticas e pelo desmatamento, com impactos mais severos na Amazônia.

No Amazonas, todos os municípios foram declarados em estado de emergência, conforme o governador Wilson Lima, afetando mais de 300 mil pessoas e resultando na queda drástica dos níveis dos rios Solimões e Negro.

Além da crise hídrica, as queimadas se intensificaram, com mais de 8,4 mil focos de incêndio combatidos desde junho. A situação, que se agravou no início do ano, também provocou um aumento de 56% nos municípios em seca severa em comparação a 2023.

Seca na Amazônia e a logística

Seca na Amazônia e a logística

Mas você deve estar se perguntando: Como a seca na Amazônia influencia na logística?

A Região Hidrográfica Amazônica, uma das maiores redes fluviais do mundo, é essencial para o transporte de cargas na região norte do Brasil.

Só entre janeiro e agosto de 2023, a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ) registrou um movimento de cerca de 22 milhões de toneladas de mercadorias na bacia de Manaus, representando um aumento de 12,43% em relação ao ano anterior.

No entanto, as secas severas dos últimos anos têm dificultado a logística em Manaus, especialmente quando a profundidade dos rios cai abaixo de 14 metros, limitando a capacidade das embarcações.

Níveis mais agravantes podem até mesmo tornar a navegação perigosa e, por isso, essas restrições são postas para evitar maiores riscos às embarcações e não comprometer as viagens.

Manaus, segunda maior cidade em movimentação de containers no país, é um polo industrial importante que depende fortemente do transporte fluvial.

Por isso, a seca prejudica o abastecimento de insumos básicos e matérias-primas para a produção local, aumenta os custos de transporte e gera filas.

Saiba mais sobre esses problemas:

Problemas na exportação de grãos

A redução dos níveis de rios como Madeira, Negro e Solimões compromete tanto o abastecimento da população quanto o transporte de grãos para exportação.

Entre julho de 2023 e junho de 2024, o agronegócio representou 48,6% das exportações brasileiras, e a seca na Amazônia causou danos severos ao setor.

Um terço das exportações de soja e 42,5% das de milho passaram pelos portos do Arco Norte. Mas, recentemente, o Rio Madeira interrompeu o transporte de grãos, afetando a rota fluvial de Mato Grosso.

A falta de chuvas coloca em risco o fornecimento de produtos agrícolas em um mercado global que depende cada vez mais das safras brasileiras, aumentando a pressão financeira sobre os agricultores, que já lidam com a queda nos preços.

 

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Aumento dos fretes e taxa da seca

A escassez de containers e navios no Brasil tem gerado sérios problemas nos setores de importação e exportação, resultando em um aumento nos custos de frete internacional.

Como exemplo, o preço do frete entre a China e o Brasil disparou 650% em relação à média registrada até março.

Em Manaus, essa situação é ainda mais crítica, com o custo do frete alcançando US$ 14 mil, acrescido da chamada “taxa da seca”, que é aplicada para compensar a redução na navegabilidade dos rios.

Enquanto isso, outras regiões que exportam por portos como Santos e Paranaguá não enfrentam os altos custos de frete da região Norte, mas também lidam com desafios logísticos.

O porto de Santos, por exemplo, já ultrapassou os níveis ideais de operação, atingindo 85% de ocupação, o que pode resultar em filas de navios.

Essas filas são também um obstáculo para a região do Amazonas, complicando ainda mais a logística local. Confira mais a seguir.

Aumento do tráfego

O elevado fluxo de carretas na BR-319, etas na BR-319, rodovia que liga Manaus a Porto Velho e fundamental para o escoamento de mercadorias na Região Norte, está provocando filas de até 4 quilômetros, agravadas pela falta de balsas para a travessia.

Após a queda de duas pontes em 2022, foram instaladas balsas para transportar veículos e pedestres, mas a infraestrutura disponível ainda é insuficiente para atender ao alto volume de tráfego.

Além disso, a estiagem na região tem reduzido a navegabilidade das embarcações, dificultando ainda mais a mobilidade.

 

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Medidas para minimizar o impacto da seca na logística

Medidas para minimizar o impacto da seca na logística

Devido à redução dos níveis dos rios na Região Amazônica, a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ), em colaboração com outras autoridades, estão implementando medidas emergenciais para garantir o transporte aquaviário.

Confira algumas das estratégias adotadas:

  • Limitação da taxa da seca, com o objetivo de reduzir custos excessivos de frete;
  • Autorização para operação de novas balsas na BR-319, aumentando a capacidade de transporte e reduzindo filas;
  • Flexibilização das regras de afretamento de embarcações estrangeiras para navegação de cabotagem, essencial para o transporte regional;
  • Criação de bases subsidiárias de apoio e adaptação temporária de terminais para manter o movimento de cargas essenciais, como combustíveis e alimentos;
  • Afretamento temporário de balsas e empurradores brasileiros para operações de transbordo em locais estratégicos nos rios Amazonas e Negro;

Como vimos, a seca na Amazônia, resultado da degradação ambiental, tem repercussões profundas que vão além das consequências diretas para as comunidades locais e a biodiversidade.

À medida que os eventos de seca se tornam mais frequentes e intensos, a manutenção dos recursos hídricos se torna cada vez mais desafiadora. Essa situação compromete a navegação fluvial, que é vital para o transporte de mercadorias em todo o território nacional.

As implicações desse cenário ressaltam a necessidade urgente de atenção às questões ambientais para garantir a continuidade da logística na região.

Fontes: O Globo, Instituto Humanitas Unisinos e NeoFeed.

 

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Paulo Mesquita | DeckLog

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